sábado, 30 de junho de 2018

Em Busca da Perfeição



"Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus".


Filipenses 3.12

Muitas vezes eu me perguntava sobre o sentido da palavra "perfeição" em alguns textos das Escrituras, pois ela parecia apontar para um alvo humanamente impossível de se alcançar. "...sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste"... Mateus 5.48... Uauuu!!! Perfeitos como o Pai celeste? Não parece um alvo inatingível? Mas Jesus não diria uma coisa infundada - sua Palavra é a verdade. Mas como poderíamos alcançar a perfeição do Pai?

A palavra utilizada no original grego, nestes textos, é teleios (teleios - 5046) que quer dizer: fim, um propósito, uma objetivo, uma meta. Significa completo, maduro, plenamente desenvolvido, adulto, levado ao seu estado final, acabado, em nada faltando algo, integral, em bom estado de funcionamento. Teleios significa solidez, algo consumado. Inclui a ideia de ser inteiro.

Essa palavra grega não denota perfeição moral ou espiritual, ou sem pecaminosidade, mas antes, se refere ao que é plenamente desenvolvido. E nesse texto de Filipenses 3.12 eu creio que o apóstolo Paulo está se referindo ao alvo, o plano e o propósito de Deus para sua vida. Ele não julgava ter alcançado essa meta ainda, mas prosseguia para, segundo suas palavras, "conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus".

Perfeição, nessa perspectiva, significa atingir o coração e o propósito de Deus para nossa vida, em termos de estatura e realizações. À medida que crescemos e nos livramos de todos os empecilhos que nos impedem de entrar na vontade e propósito do Senhor para nós, vamos prosseguindo rumo à perfeição (gr. teleios).

Conquistar aquilo para o que... também fui conquistado!


Fomos conquistados por Jesus para que também conquistemos algo. Fomos comprados e atraídos para ele não somente para sermos salvos e irmos para o céu, mas para um propósito. E foi pago o mais alto preço por nós - o que faz valer apena conquistarmos muito para o Senhor!

Para que você foi conquistado? O que foi estabelecido por Deus para que você conquiste através da sua vida? Pode ser algo grande, ou pode ser algo "pequeno" ou simples. Mas seja o que for, será maravilhoso se você alcançar. Vai tornar você perfeito (teleios). Vai fazer sua vida ter sentido e significado. Muda totalmente a perspectiva de nossa vida quando a vivemos debaixo de uma visão de Deus.  E quando estamos comprometidos a alcançá-la.

Quando nascemos de novo, nascemos para um propósito. E à medida em que vamos removendo todos as barreiras, internas e externas, que nos impedem de andar na vontade de Deus, vamos nos aperfeiçoando - nos tornando perfeitos Nele:

"Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, afim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra". 
2 Timóteo 3.16-17.
Os instrumentos do Senhor para nos aperfeiçoar são:

1. Ensino: princípios, diretrizes e valores que nos são ensinados em Deus. 
2. Repreensão: confronto de nossas atitudes erradas e obstinações. Nossa vontade precisa ser confrontada, muitas vezes, para crescermos em determinadas áreas.
3. Correção: alinhar, tornar ainda melhor algo que é ou já foi bom. Devemos sempre estar abertos à correção que nos trazem as Escrituras, os ministérios e as pessoas mais maduras do que nós.
4. Educação na justiça: só com o tempo e a experiência é que vamos amadurecendo e aprendendo o que realmente é justo aos olhos de Deus - vamos aprendendo a ver a vida na perspectiva da justiça de Deus, do seu Reino.

Não é suficiente somente o ensino. Nós necessitamos também de repreensão, correção e educação na justiça. Há pessoas que imaginam que pelo simples fato de estarem na Igreja, ouvirem as Escrituras com frequência e receberem ensino, que isso é o bastante para o seu crescimento. Mas na verdade nós precisamos também, em momentos apropriados, de repreensão e correção. Pois, invariavelmente, temos áreas de resistência e debilidades que necessitam de confrontação e alinhamento. E quando abraçamos isso e respondemos corretamente ao Senhor, somos aperfeiçoados e nos tornamos habilitados para toda boa obra. Nos tornamos aptos a conquistar aquilo para o qual fomos conquistados.

Que o Senhor nos ajude a ser perfeitos e perfeitamente habilitados para toda boa obra!

Roberto Coutinho 

segunda-feira, 20 de março de 2017


"Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." João 14.6.


Esse texto muito conhecido das Escrituras fala sobre duas coisas: o caminho e o destino. Geralmente enfatizamos que Jesus é o caminho - o único caminho - o que, obviamente, é verdade. Mas o texto diz também que Jesus não é o destino desse caminho: ... "ninguém vem ao Pai senão por mim"... Jesus é o caminho, mas o Pai é o destino desse caminho. Ele veio para nos conduzir até o Pai.

"Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar". Mateus 11.27.

Não existe um pai enquanto não existir um filho. A evidência da existência de um pai é exatamente a existência do filho. Ninguém poderia realmente revelar, na sua plenitude, a natureza de Deus como Pai, a não ser o Filho. O Pai conhece o Filho e o Filho conhece o Pai, e o pode revelar a quem quiser. Nenhum dos profetas, nem Moisés e nem mesmo João Batista que, segundo o próprio Jesus, foi o maior dos profetas, poderiam realmente revelar a Deus como Pai. Coube ao Filho a nobre missão de fazê-lo e abrir assim o caminho para que o homem caído fosse redimido e pudesse se tornar filho de Deus e membro da sua família.

"Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra". João 17.6.

Jesus não veio apenas falar ou ensinar sobre o Pai, mas "manifestar o seu nome". Que nome de Deus Jesus veio manifestar? Não era o nome "Jeová", ou o tetragrama "YHWH", que os Judeus não ousavam proferir para não usar o seu Nome em vão, porque eles já os conheciam há séculos. Qual era o nome de Deus que Jesus estava manifestando ao seu povo? O nome de Deus como "Pai". E manifestar é mais do que simplesmente "falar sobre". É mostrar na prática, com a própria vida, como é viver a intimidade que podemos ter com o Pai na qualidade de seus filhos. Em Jesus podemos ver o padrão de vida que podemos experimentar como filhos de Deus!

"Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo". Hebreus 1.1-2.

Hoje o Senhor nos fala pelo Filho, revelando-se como Pai e nos levando a uma nova dispensação da sua obra na vida dos homens, elevando, todo aquele que o recebe, à condição de "filho de Deus", e co-herdeiro com Cristo da vida eterna. (João 1.12-13 e Gálatas 4.7).

Distorções da Revelação do Pai


Essa revelação de Deus como Pai e da nossa condição de filhos é essencial para entrarmos no melhor de Deus para nossa vida. É por carência dessa revelação que muitas vezes passamos por agruras e limitações em nossa experiência pessoal. E o inimigo de nossas vidas sabe disso e procura, de todas as formas, nos privar dessa revelação.

Muito da percepção que temos de Deus como Pai é influenciada pela experiência que tivemos com nosso Pai biológico. A figura e o ofício do Pai biológico em nossa vida é uma influência e uma referência, consciente ou não, da imagem que formamos do nosso Pai celestial. Distorções nessa nossa relação com nosso Pai biológico podem ser projetadas na nossa percepção de Deus como Pai e nos prejudicar em nosso desenvolvimento como filhos de Deus.

Muitas vezes, pessoas que tiveram um Pai distante ou ausente, e não experimentaram intimidade e carinho nessa relação, podem sentir dificuldades de relacionar-se com Deus como Pai também. Tendem a vê-lo como alguém distante ou desinteressado, severo e indiferente, etc. Muitas vezes a pessoa precisa ser curada, em seu íntimo, dessas distorções, para ter liberdade de experimentar real e verdadeira intimidade com o Pai celestial.

As distorções e efeitos deletérios da ausência ou deficiências na relação do filho com seu pai biológico é bem conhecido pela psicologia, e tema de extensivos estudos. Por exemplo, Guy Corneau, um famoso psicanalista canadense, em seu famoso livro "Pai Ausente, Filho Carente", traz uma profunda e sensível análise sobre o silêncio entre pai e filho, seja pela ausência física ou afetiva, e de como isso seria a origem dos problemas mais comuns do homem. Apesar de não ser uma obra cristã, aconselho a todo Pastor, líder ou obreiro envolvido no aconselhamento, que leia e estude esse livro. Ele mostra, por exemplo, como a ausência dos pais nas famílias do pós-guerra trouxe profundos reflexos em toda uma geração de homens que se seguiu. E há efeitos negativos tanto no filho como na filha, decorrentes dessas distorções na relação com o pai.

Temos testemunhado em nossos dias um ataque e uma desvalorização do ofício e do papel do pai como nunca se viu antes na história, a ponto de ser até mesmo considerado uma figura dispensável pelas tendências humanistas e progressistas, pela defesa de conceitos alternativos de família. E o inimigo tem o objetivo de disseminar isso na sociedade e golpear a figura do pai porque, em última análise, estará golpeando também a imagem que podemos chegar a ter de Deus como Pai.  

Conseqüências da Revelação de Deus como Pai


Por outro lado, a revelação de Deus como Pai nos leva ao destino de nossa jornada espiritual: os braços do Pai!

Seguem abaixo pelo menos 5 benefícios que nos são trazidos pela revelação de Deus como Pai:
  1. Identidade: encontramos nossa verdadeira identidade. O homem sem Deus e sem a sua revelação com Pai não sabe de onde vem e nem para onde vai. Mas quando nos encontramos com o Senhor, através de Jesus Cristo, somos trazidos à condição de filhos e encontramos o nosso verdadeiro "eu". João 1.12-13 e Romanos 8.15.
  2. Família: encontramos nossa verdadeira família. Esse senso de pertencer, de ser acolhido e fazer parte de uma comunhão eterna é transformador e nos traz crescimento e maturidade. Pois na família (a Igreja) onde encontramos acolhimento, ensino e mesmo correção. Efésios 2.19 e Hebreus 12.4-13.
  3. Segurança: no Pai encontramos verdadeira e permanente proteção. João 10.27-29 e João 17.15.
  4. Provisão: o Senhor, como Pai, provê todas as nossas necessidades, quando confiamos Nele e o colocamos no lugar devido em nossa vida - em primeiro lugar. Mateus 6.31-33.
  5. Herança: o Pai não somente provê identidade, família, segurança e provisão, mas também herança a seus filhos. Gálatas 4.7 e Tito 3.7.

Reencontrando-se com o Pai


A parábola do filho pródigo (Lucas 15.11-32) fala sobre dois filhos que, apesar de diferentes - um era irresponsável e mundano e o outro "certinho" e religioso - tinham um mesmo problema essencial: não conheciam realmente o seu Pai.

E no texto de Lucas 15.17-24 temos a dramática descrição do filho pródigo caindo em si e lembrando-se do seu Pai, e tudo o que Ele poderia proporcionar-lhe, mesmo que readmitindo-o como servo, agora que havia desperdiçado todos os seus direitos como filho. E ele faz três coisas: 
  1. Levanta-se (toma a decisão)
  2. Vai ter com seu Pai (toma ação)
  3. Confessa sua culpa (toma a atitude correta).

E o Pai, em resposta, manda vestir-lhe a melhor roupa (o redime), poe-lhe o anel (restaura a aliança e a autoridade) e manda colocar-lhe sandálias nos pés (representando liberdade, pois só os livres podiam usá-las). O perdoa e o restaura, integralmente, à sua posição de filho.

E você, tem conhecido verdadeiramente a Deus como Pai? Pelo Espírito Santo, tem experimentado o "Aba", Pai? Tem desfrutado tanto das bençãos como do crescimento proporcionado aos filhos de Deus?

Que Senhor restaure, na prática,  as suas vestes, o anel e as sandálias como as marcas da sua filiação em Deus, através de Jesus Cristo e pela operação do Espírito Santo!

Roberto Coutinho

sábado, 4 de março de 2017

"Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes". Mateus 26.11

Há alguns dias atrás esse texto chamou muito a minha atenção: ..."mas a mim nem sempre me tendes"... Claro que Jesus referia-se ao fato de que após ressuscitar e subir ao céu, não teríamos mais a sua presença física entre nós. Mas creio que há mais coisas que devemos aprender sobre sua presença a partir dessa sua declaração.

Contrapondo essa afirmação de Jesus com uma outra que Ele fez mais adiante, em Mateus 28.20, afirmando que estaria conosco "todos os dias até à consumação do século", verificamos que há diferentes dimensões da presença de Jesus em nossa vida, que vai desde a dimensão física e manifesta até a uma dimensão mística e imperceptível, baseada no seu atributo divino da onipresença. E creio que entender como se dá essa relação entre nossa experiência com Ele, nessas diferentes dimensões da sua presença, desempenha um papel chave em nosso crescimento em Deus. E eu quero fazer aplicação prática desse entendimento em nosso relacionamento com o Senhor.

Creio que podemos classificar a presença de Jesus (ou de Deus) em nossa vida, pelo menos, nos seguintes níveis:

- Presença manifesta (Epifania, perceptível aos 5 sentidos);
- Presença sensível consciente (que se pode sentir);
- Intervenção perceptível inconsciente (que se pode constatar a posteriori ou por evidências);
- Onipresença (imperceptível aos sentidos mas constante e em todo lugar).

A "epifania" é um termo teológico oriundo da palavra grega "epiphanéia" que significa "aparição" ou "manifestação visível" de algo invisível ou espiritual. É aplicada às raras situações onde Deus se manifestou visivelmente aos olhos humanos, como quando apareceu a Moisés na sarça ardente, no Sinai e na fenda da penha, onde o viu de relance pelas costas (Êxodo 33.1721-23). Na filosofia o termo "epifania" é usado também para descrever os momentos em que se obtém uma compreensão repentina de uma verdade profunda ou que se buscou por anos, um insight ou entendimento profundo de uma verdade transcendental. Mas não é nesse sentido filosófico que estou aplicando a palavra, mas no teológico.

Foram raros os momentos de epifania registrados nas escrituras e na história, mas a vida de Jesus pode ser definida, em um certo sentido, como a mais marcante e prolongada epifania da história, pois Ele era a revelação perfeita do Pai, a encarnação e presença visível de Deus entre os homens. Imagine: quem estava pessoalmente com Jesus, em um recinto ou em um campo ao ar livre, estava diante da própria presença manifesta de Deus entre os homens! Palpável e em carne e osso. Era algo extraordinário e é essa presença que Jesus disse, no texto inicial desse estudo, que nem sempre teríamos entre nós. 

Mas o Senhor Jesus disse que estaria conosco todos os dias até a consumação do século. Que Ele se manifestaria a todo que o ama e guarda os seus mandamentos (João 14.21). Fala da presença sensível consciente, quando o experimentamos e somos transformados pelo seu amor. E é essa experiência que entendo ser fundamental para o nosso crescimento em Deus, e que desejo fazer aplicação prática sobre como ela se dá e o que produz em nossa vida.

Você está Experimentando a Presença Real de Jesus?


Em Apocalipse 2.1-7 temos um texto muito conhecido e, ao mesmo tempo e a meu ver, surpreendente. Pois a mensagem de Jesus à igreja em Éfeso elenca uma série de qualidades que eles tinham e aponta também uma falha fundamental que apresentavam: faziam muitas coisas importantes e louváveis mas, ao mesmo tempo, haviam perdido o "primeiro amor". Eles tinham perseverança, não suportavam os homens maus, punham à prova e reprovavam os falsos apóstolos, suportavam provas por amor a Jesus (e tudo isso fazia deles melhores cristãos do que a maioria de nós hoje) mas estavam falhando nesse ponto essencial: haviam perdido contato com o real e verdadeiro amor de Jesus e por Jesus - o primeiro amor. 

Eu entendo que isso fala de ter perdido um relacionamento íntimo, de amor e correspondência com Jesus, onde a sua presença é real e transformadora. Essa presença é fundamental e deve ser uma realidade constante em nossa vida. Você está imerso e experimentando, constantemente, essa presença real e perceptível de Jesus? É uma força interior que te direciona e influencia todas as áreas da sua vida, de maneira real e marcante? E não estou falando de ir à igreja, dar os dízimos e não assistir novelas. Os irmãos de Éfeso faziam muito mais que isso e haviam perdido o seu primeiro amor por Jesus.

Isso me faz lembrar do episódio onde os pais de Jesus, quando ele tinha 12 anos, o deixaram para trás, em Jerusalém, por todo um dia no caminho de volta, sem darem-se conta disso (Lucas 2.41-52). E tiveram de voltar para Jerusalém, e ainda levaram três dias para encontrá-lo. Não é interessante como isso parece acontecer conosco também? Perdemos Jesus em nossa caminhada, em algum ponto onde nem nos lembramos mais onde foi. E precisamos procurar a Jesus novamente, para termos um novo encontro e uma nova experiência com Ele. Você já se sentiu assim alguma vez?

É o que havia acontecido com os irmãos da igreja em Éfeso, e é o que acontece conosco muitas vezes também. "A mim, nem sempre me tendes" - disse Jesus. É essa palavra que ecoou em meu coração quando li o texto inicial desse estudo. Precisamos cultivar e saber aproveitar a presença de Jesus, como a mulher de Betânia, com o vaso de alabastro, fez (Mateus 26.6-13).

E quando perdemos a direção e a presença real de Jesus - o primeiro amor - como fazemos para reencontrá-lo? É uma boa pergunta, não é?

Reencontrando a Presença Real de Jesus


No texto de Apocalipse 2.5 temos a receita do próprio Jesus sobre como voltar a encontrá-lo e viver novamente no "primeiro amor":

"Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e removerei do seu lugar o teu candelabro, caso não te arrependas". Apocalipse 2.5.


Ele nos aconselha a fazer três coisas, ou três passos que devemos percorrer:


1. Lembrar de onde caímos: onde foi que começamos a perder a direção? Em que ponto? Quando foi e por que aconteceu? Foram certas decisões que tomamos, certas pessoas com quem nos relacionamos? Por causa de algum trabalho ou estudo que iniciamos? Sejam quais forem os fatores que nos fizeram perder essa intimidade e presença sensível de Jesus, precisamos identificá-los. Pois assim podemos fazer as correções necessárias. E porque também, tenho aprendido, Deus sempre retoma sua obra em nós no ponto em que parou, mesmo que tenha sido há anos atrás. Os pais de Jesus precisaram voltar e encontrar Jesus onde o haviam esquecido - e levou 3 dias para eles chegarem lá! O Senhor não tem atalhos. Ele sempre retoma sua obra em nós do ponto em que paramos de corresponder a Ele.


2. Arrepender-se: uma vez que você identificou os fatores que o afastaram da intimidade e do amor perceptível de Jesus, você deve reconhecer que foram errados, por mais que se tratem de coisas caras e importantes para você. É um processo crítico e algo que deve acontecer em seu íntimo. O desejo de voltar a experimentar o amor de Jesus deve ser cultivado até ao ponto em que leve você a deixar tudo que o impede de experimentá-lo e passar a segui-lo (Lucas 5.11) - isso é arrependimento. Esse é o objetivo final de tudo aquilo que Jesus faz em nossa vida: nos levar a deixar tudo para segui-lo.


3. Voltar à prática das primeira obras: essa é uma coisa bem prática e essencial. O que você costumava fazer e deixava o seu coração tão apaixonado por Jesus? Participava de vigílias? Comece a participar de novo. Evangelizava nos bairros, hospitais ou presídios? Recomece. Visitava pessoas para falar do amor de Jesus? Volte a fazê-lo. Lia muito a Bíblia e derramava seu coração diante do Senhor? Comece a fazer isso de novo, agora mesmo. Era uma pessoa mais simples e humilde, sem se importar com as aparências? Pode estar aí algo que volte a trazer-lhe a alegria da salvação e um novo perfume de Cristo por onde quer que você passe. Volte às primeiras obras. Volte aos fundamentos. Restaure os princípios corretos negligenciados ao longo do tempo.


Onde está Jesus? Onde você o deixou da última vez na qual teve um encontro marcante e verdadeiro com Ele. Volte lá, a essa posição e atitude, que o Senhor o está esperando de braços abertos.

Roberto Coutinho

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O Aspecto Ofensivo da Nossa Guerra Espiritual

"Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

Mateus 16.18

"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem".

Romanos 12.21



Algo interessante nesse texto de Mateus 16.18 é que Jesus nos dá uma visão ofensiva da atuação da Igreja frente às ações do inferno. Não diz que os cristãos vão ficar escondidos na Igreja, passando a tranca nas portas e resistindo bravamente para que o inferno não a invada e cause "dano no arraial" - o que seria uma posição mais defensiva de guardar a fortaleza e se blindar do mundo exterior. Pelo contrário, Jesus afirma a Pedro que são "as portas do inferno" é que não vão prevalecer contra a Igreja! Deus tem uma estratégia ofensiva para a Igreja, e não meramente defensiva.

O apóstolo Paulo nos exorta a vencermos o mal com o bem. O bem tem o poder de vencer o mal. Mas o intrigante nesse texto é que ele nos alerta a "não nos deixar vencer pelo mal". O que isso significa? Significa que se não tomarmos cuidado, o mal pode nos vencer! Mas como ele pode conseguir isso? Ele já não está vencido? Como ele pode ainda obter vitória sobre nós?

Na verdade, as Escrituras ensinam que as armas da nossa luta são poderosas em Deus (2 Coríntios 10.4) para vencer o mal, mas diz também que o nosso inimigo tem artimanhas e ardis que podem ser usados contra nós (2 Coríntios 2.11). A palavra no Grego para "ardis" (noema) tem o sentido de "dispositivo, armadilha, estratagema para induzir ao erro". Em Cristo, suas armas contra nós não tem poder inerente, como aquelas brigas do Super Herói contra o Vilão, nos desenhos animados, em que um fica mandando raios cada vez mais poderosos um contra o outro. As armas do nosso inimigo constitui-se de nos levar a cair em nossos próprios erros ou fragilidades, lançando armadilhas e usando de artimanhas. São como armas de guerrilha contra um exército bem equipado.


Isso nos faz lembrar da guerra no Vietnã. Os Estados Unidos tinham o mais poderoso exército do Planeta, e com suas armas muito superiores expulsaram rapidamente os Norte-Vietnamitas do Vietnã do Sul. Mas a guerra de imagens e contra-propaganda da carnificina das batalhas fez a opinião pública se virar contra o Governo Americano que, acuado, acabou se vendo obrigado a retirar as suas tropas em 1972, o que abriu caminho para os comunistas do Vietnã do Norte invadirem novamente o sul e unificar o Vietnã sob uma ditadura comunista. Mesmo com armas muito mais poderosas, os EUA saíram como os grandes perdedores da guerra, com quase 50 mil mortos em troca de nada.


O inimigo tenta algo semelhante contra a Igreja. Sabe que não tem chances contra as poderosas armas em Deus que temos contra ele. Mas ele tenta usar de artimanhas e ardis para nos derrotar, usando armadilhas e armas de guerrilha e contra-informação, para nos derrotar. Mas como Paulo nos ensinou, não devemos "ignorar os seus ardis" (2 Coríntios 2.11).



Quais são os principais ardis que Satanás usa contra nós? Podemos dividi-los em basicamente três tipos:

1. O Engano
2. A Tentação
3. A Acusação

Essas artimanhas do inimigo contra nós só tem eficácia se cairmos nelas, se nos deixarmos vencer pelo mal. Pois em Jesus, temos antídotos poderosos contra cada uma delas: 

1. A Verdade
2. O Espírito Santo
3. A Graça de Deus

Isso sem falar nas armas de ataque e defesa de Efésios 6.13-17, que merece um estudo à parte, mas vamos nos ater aqui à natureza dessa nossa guerra. Precisamos anular esses ardis do mal contra nós, através da Verdade, do Espírito Santo e da Graça de Deus, e aprendermos a vencer o mal com o bem.

A Vitória Acontece Primeiro Dentro de Nós

Eu tive a experiência de prestar o serviço militar obrigatório. E uma das coisas que aprendi é sobre como se dá o treinamento e a preparação de um soldado.

Na primeira fase do treinamento dos recrutas, nada de pegar em armas ou aprender sobre doutrina e táticas de combate. Aquele grupo inicial de rapazes, fora de forma e indisciplinados, acostumados a fazer só a sua própria vontade e muitos, inclusive, acostumados ao conforto, precisam ser lapidados moral, disciplinar e fisicamente. Devem aprender a suportar situações de stress e pressão psicológica (típicas de um ambiente de combate), a obedecer sem reservas e a ter disciplina e preparo físico - vitais para a sobrevivência em combate.

Só depois de alguns meses de duro treinamento básico, quando todos já aprenderam a ser um "soldado" por dentro é que, gradativamente, cada um vai sendo encaminhado para as suas instruções de formação militar específica: aprendem a usar as armas, as comunicações e os equipamentos especiais.

A Bíblia diz que temos que ser um "bom soldado de Cristo Jesus" (2 Timóteo 2.3-4). Diz que "nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou". Temos que estar fortes e preparados para a batalha, interiormente, sem embaraços que nos impeçam de ser bons soldados de Cristo e aptos a vencer o mal com o bem. 

"para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior". Efésios 3.16.

É quando nos fortalecemos, mediante o Espírito, em nosso homem interior, é que estamos aptos a vencer. É quando não nos deixamos levar pelo mal, não caímos em seu engano, suas tentações e acusações, é que contribuímos para o estabelecimento dessa Igreja, cujas portas do inferno não prevalecerão contra ela!


Roberto Coutinho

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

As Tres Perguntas Essenciais

Li recentemente em um livro sobre uma velha estória oriental sobre três perguntas essenciais que inquietavam profundamente um poderoso e rico monarca, que estava indagando sobre os caminhos da sabedoria. Ele propôs aos seus súditos, então, essas três maiores interrogações da sua vida, prometendo enorme recompensa a quem viesse a respondê-las. Eram as seguintes:

- Qual o momento mais importante na vida do Homem?
- Qual a pessoa mais importante?
- Qual a tarefa mais importante a ser feita?

Se você é cristão, crê em Jesus, salvo e convicto de que somos chamados para ir e evangelizar o mundo, você já deve estar esfregando as mãos e pensando: "mas essa é fácil, o momento mais importante é o da salvação, a pessoa mais importante é Jesus e a tarefa mais importante a ser feita é evangelizar outras pessoas, com nossa vida e palavras". Perfeito! Se pudesse responder essas perguntas ao velho monarca, poderia ganhar a grande recompensa "mole, mole". Não tem como dizer que essas respostas não estejam certas. É evidente que estão corretas. 

Mas essas são as respostas certas, simples e objetivas, a partir de uma perspectiva espiritual sobre o plano de Deus para o homem. Mas existe um outro conjunto de respostas, de um ponto de vista mais prático, e que também é verdadeiro. E uma vez acolhidas, nos ajudam inclusive a entender e cumprir melhor essa perspectiva espiritual de abordar as três questões.

A velha estória oriental prossegue nos contando que, após anos de penosa busca e sem receber respostas satisfatórias, o nosso monarca acabou por se achar no topo de uma longínqua montanha, onde um velho e sábio anacoreta respondeu-lhe:

- O mais importante é sempre o momento presente. 
(é quando podemos fazer, de imediato, a diferença e definir o nosso destino).

- A pessoa? A mais importante é a que está a nossa frente. 
(que pode ser alvo instantâneo de nossa influência,  generosidade e amor).

- Quanto a tarefa, a mais importante é fazer essa pessoa feliz! 
(abençoando-a, inclusive mostrando-lhe o dom da salvação!) 

Não fará uma grande diferença em nossa vida se abraçarmos esses conceitos, de verdade, em nossa jornada cristã? 

Roberto Coutinho

* A estória citada neste texto está narrada em "A Hora da Verdade", um livro sobre liderança e gestão do executivo sueco Jan Carlzon, que salvou a empresa aérea sueca SAS da falência nos anos 1980, em uma incrível história de virada empresarial com base no foco máximo na "hora da verdade": o momento em que a organização está em contato direto e servindo ao cliente.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O Reino de Deus e suas Implicações Práticas

Palavra Ministrada na Igreja Caminho da Graça, em Taubaté.

O que é o Reino de Deus? Por que é fundamental entendê-lo? Como ele afeta a nossa vida prática, nossa conduta e a forma como vemos as coisas?  Essas e outras perguntas são tratadas de maneira clara, escriturística o objetiva por Roberto Coutinho, nessa palavra ministrada na Igreja Caminho da Graça, em Taubaté - SP, no dia 21/08/2016. Separe um tempo e ouça essa palavra que pode mexer com sua vida, sua visão e seus valores!


O Reino de Deus - E Suas Implicações from Roberto Coutinho on Vimeo.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Refletindo Sobre os Nossos Caminhos



“Refleti em meus caminhos e voltei os meus passos para os teus testemunhos. Eu me apressarei e não hesitarei em obedecer aos teus mandamentos”. 
Salmos 119.59-60 (NVI)
É muito importante, de tempos em tempos, fazermos uma "pausa" para refletir sobre nossa vida. Sincera e honestamente, o que tenho feito da minha vida? Para onde, minhas decisões e meu modo de vida, estão me levando? No que tenho alocado meu tempo e minha atenção? Os projetos e atividades nos quais tenho me engajado, estão produzindo que resultado? Quais relacionamentos, e com quais pessoas, tenho valorizado? Eu estou encontrando verdadeira satisfação no que estou fazendo, ou tenho experimentado um ciclo recorrente de frustrações e desapontamentos? Tenho correspondido àquilo que o Senhor já falou comigo? Tenho motivos para crer que estou cumprindo o plano de Deus para minha vida?
São boas perguntas, não são? E, frequentemente, a questão nem é se estamos na Igreja ou não, participando dos trabalhos, lendo a Bíblia e tendo alguma prática de oração, em menor ou maior grau. Mas são questões relativas ao meu senso interior de propósito, minhas motivações, meus valores, minhas reais prioridades. São aspectos que encontram-se em áreas mais íntimas do nosso ser. Que exigem de nós coragem, sinceridade e honestidade para serem abordados. Estou sendo quem nasci para ser? Estou cumprindo o propósito para o qual nasci? Meus valores, tem sido realmente os valores de Deus?
Observamos nas Escrituras, frequentemente, os Profetas do Senhor desafiando os fundamentos do povo de Deus. Muitas vezes, a vida religiosa da Nação parecia estar normal: o Templo estava funcionando, os sacerdotes servindo, a Torá sendo lida, as Festas sendo realizadas, mas o coração do povo estava longe de Deus - vivendo, na verdade, a sua própria vontade, e não a vontade do Senhor! E é incrível como temos essa capacidade de fazer as coisas certas, pelos motivos errados. À vezes até temos zelo, mas não com entendimento (Romanos 10.2)
Motivações e Premissas
Conscientes ou não, conduzimos nossa vida com base em certas motivações e premissas. A palavra "motivação" deriva da raiz "motor", e significa aquilo que nos move, nos impulsiona, em alguma direção. E tudo aquilo que fazemos é determinado por uma motivação. E "premissa" significa um ponto ou ideia do qual se parte para estruturar um raciocínio, ou uma forma de pensar. Tenho percebido, em minha própria vida, que o que somos é determinado, em grande parte, por esses dois fatores: minhas motivações e minha premissas. Por isso as Escrituras nos exortam a apresentar nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável à Deus (nossas vontades, nossas motivações) e sermos transformados pela renovação da nossa mente (forma de pensar) - Romanos 12.1-2. Se esses dois aspectos forem moldados por Deus, então nós experimentamos a sua boa, perfeita e agradável vontade. Muitas vezes erramos, e não vencemos, porque nossas motivações e nossas premissas na vida estão equivocadas.
Quais são as suas motivações? Sob quais premissas você tem conduzido sua vida? São elas corretas? Estão de acordo com a vontade, e o maravilhoso plano que Ele tem para sua vida?
Sensibilidade e Resposta
Nessa nossa reflexão constante, uma qualidade nos é essencial: a capacidade de ouvir a voz do Senhor. Você desenvolveu essa capacidade de ouvir a voz de Deus? Tem conseguido ouvi-la? ... "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo". Apocalipse 3.20. Jesus já entrou na casa da sua vida?
Jesus também disse, em João 10.27: ..."as minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me seguem"... É absolutamente essencial que as ovelhas ouçam a voz do Pastor e o sigam. Na verdade, Jesus diz que essas são as características essenciais das suas ovelhas. Gostamos de pensar que somos ovelhas do Senhor, para desfrutarmos do cuidado do nosso Pastor. Mas nos esquecemos de que as principais características da ovelha são: ouvir e obedecer. Gostamos das prerrogativas de sermos ovelha, mas nos esquecemos das qualidades que devemos ter como tais. Tem muita ovelha que não ouve. Ou que quando ouve, não segue o Pastor. 
Qual foi a última vez que você ouviu a voz do Pastor? E se ouviu, como foi sua resposta? Temos ouvido e obedecido a voz do nosso Pastor? Sabe citar alguns exemplos práticos, em sua vida, desse processo de ouvir e obedecer ao Senhor? Respostas honestas, para essas perguntas, são essenciais para essa reflexão que estamos falando. É o que fazia o salmista, no texto inicial desse estudo: ele refletia sobre o seu caminho e voltava os seus passos para vontade de Deus (Salmos 119.59).
A segunda coisa que ele nos diz que iria fazer é: ... "Eu me apressarei e não hesitarei em obedecer aos teus mandamentos” (v 60). Você já reparou como, muitas vezes, somos lerdos em entender e obedecer ao Senhor? Quando Ele nos fala através das Escrituras, de uma pregação, de um aconselhamento, de um livro, em um momento de reflexão, etc, nós respondemos rapidamente, ou deixamos para elaborar isso depois? Às vezes até nos emocionamos, choramos e "rasgamos nossas vestes". Mas precisamos aprender a transigir da “emoção” para a “ação”. Em outras palavras: precisamos aprender a ouvir e obedecer prontamente, sem reservas. É o que o salmista disse que iria fazer. E é o que temos que fazer também.
E então, pronto para "refletir sobre os seus caminhos"?
Roberto Coutinho

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A Crise de Influência e Testemunho da Igreja

"Vós sois o sal da terra. Mas se o sal se tornar insípido, com que se há de salgar? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo de uma vasilha, mas no candelabro, e ilumina a todos os que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus".
Mateus 5.13-16


É evidente nas Escrituras que a Igreja é chamada para ser uma expressão de Deus na Terra. No texto acima, Jesus diz que somos o sal da terra e a luz do mundo. E essas figuras nos remetem a dois aspectos da nossa expressão como Igreja: a Influência e o Testemunho.  

Como a Igreja pode realmente impactar a sociedade?

No início da sua existência vemos a Igreja "caindo na graça de todo o povo" (Atos 2.47). E todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que iam sendo salvos, relata o texto. Por causa da sua pregação e da sua vida de amor, perdão e reconciliação, os irmãos gozavam de uma boa imagem e reputação diante do povo em geral, que via neles as virtudes de Deus e as marcas de Jesus. Eles estavam, de fato, sendo o sal da terra e a luz do mundo. Estavam influenciando e brilhando a luz de Jesus no meio daquela geração.

Uma Realidade Espinhosa

Basta sermos honestos para reconhecer que a Igreja hoje, em geral, não goza desta mesma reputação. Uma pesquisa recente do Instituto Datafolha apontou que outras instituições, como as Forças Armadas e até mesmo a OAB, contam com mais credibilidade do que a Igreja, sendo que a Igreja Católica aparece em terceiro lugar, bem abaixo das primeiras duas, e a Igreja Universal do Reino de Deus (que também foi incluída na lista de opções) ficou apenas com o 11.° lugar, ficando atrás de instituições como a imprensa, os sindicatos, a polícia e até mesmo os bancos. 

É claro que foi selecionada para a pesquisa uma igreja evangélica neo-pentecostal, frequentemente envolvida em polêmicas e escândalos - talvez "igrejas protestantes", em um sentido mais amplo, teria tido um resultado melhor. Mas não deixa de ser vergonhoso que instituições humanas como as Forças Armadas e a OAB gozem de mais reputação perante o povo do que a igreja em geral. A relativa boa colocação da Igreja Católica pode-se facilmente explicar pela maioria católica da população que, mesmo não sendo praticante, tende a apontar a instituição representativa de sua crença religiosa como sendo de sua confiança. Uma pesquisa feita exclusivamente entre pessoas que não frequentam uma igreja poderia trazer resultados mais preocupantes ainda. A verdade é que a Igreja em geral, a evangélica em particular, não goza de uma boa reputação na sociedade de hoje, o que a torna culpada de não estar cumprindo com eficácia a sua missão de ser o sal da terra e a luz do mundo.

Odiados de Todos Sereis por Causa do Meu Nome

Alguém poderia dizer: "mas Jesus também disse que seríamos odiados de todos por causa do seu nome" (Mateus 10.22; 24.9). E isso realmente aconteceu. E ainda hoje acontece. Basta lembrar que cerca de 100 mil cristãos são mortos por ano, ainda nos dias atuais, por causa da sua fé (veja aqui). Cristãos que são executados, por exemplo, por grupos radicais como o Estado Islâmico. A igreja primitiva, que como dissemos no início, caía na graça do povo, também foi perseguida depois, mas não pelo povo em si, mas pelas autoridades e grupos que tinham seu status quo ameaçado pela pregação do Evangelho. Observe que Jesus disse que os discípulos seriam odiados "por causa do seu nome". O ponto é que hoje, muitas vezes, as críticas são direcionadas à igreja não por causa da sua identificação com Jesus, mas por causa de práticas e ensinos focados excessivamente na arrecadação de dinheiro, e por seu envolvimento em escândalos de enriquecimento e mau uso de recursos dos fiéis. Essa não é uma perseguição por causa do nome de Jesus. É motivado por mau testemunho mesmo. Precisamos sempre diferenciar uma coisa da outra.

Origens do Problema

Não tenho a pretensão de oferecer uma resposta completa para o problema, mas creio que podemos fazer algumas considerações pertinentes. Creio que o problema está muito ligado ao que disse o Cardeal Suenes, quando participou, com igrejas carismáticas protestantes, da grande Conferência de Kansas City, no ano de 1977:

"O problema não é que não somos cristãos. O problema é que não somos cristãos o suficiente".

Creio que as causas desta baixa influência e testemunho relevante da Igreja hoje estão ligadas à superficialidade da experiência e do ensino que são oferecidos. Em nome do crescimento massivo, obtido pelo uso intensivo da mídia, têm-se um comprometimento da qualidade do fundamento e da experiência cristã. O Evangelho acaba sendo "modelado", sob medida, para ser uma espécie de resposta espiritual para os problemas sócio-econômicos das pessoas, o que acolhe grande clientela não necessariamente arrependida de seus pecados, desejosas de salvação e de um novo nível de espiritualidade e vida com Jesus. Isso acaba gerando um contingente enorme de pessoas que melhor pode ser definido como "adeptos", ao invés de "discípulos". Lembremo-nos que Jesus comissionou a Igreja para ir "fazer discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado" (Mateus 28.19-20). Mas o ensino predominante hoje na Igreja parece mais orientado a formar "adeptos" ou "membros fiéis", que deem sustentação, principalmente financeira, aos planos de expansão desses ministérios. Jesus não nos mandou formar membros de igreja, mas sim discípulos de Jesus. E isso faz toda a diferença quando se busca uma Igreja que seja verdadeiramente uma influência e um testemunho fiel de Jesus. Que seja o sal da terra e a luz do mundo.

Nossa missão: ser sal da terra e luz do mundo
Esse evangelho focado na prosperidade, na solução espiritual de problemas materiais e emocionais, não é em si errado, ele peca por ser incompleto. Deus deseja realmente restaurar a vida financeira e emocional das pessoas, curá-las e abençoá-las, mas esses benefícios devem ser o resultado de uma entrega verdadeira e de uma renúncia da vida passada que não estão sendo enfatizados. E não são enfatizados em nome de um evangelho mais "palatável", que atraia mais facilmente as pessoas em geral. É uma mensagem que encontra grande apelo, ainda mais em uma nação tão cheia de problemas sociais como a nossa, mas não forma, na média, discípulos de Jesus, comprometidos com uma transformação de vida que realmente as torne sal e luz onde vivem.

Os períodos em que a Igreja mais cresceu, em maturidade e comunhão, parecem ter sido aqueles marcados por perseguições, como ocorreu nos primeiros três séculos da Igreja e em outros períodos de oposição, como o dos regimes comunistas na União Soviética e na China. Creio que essa tendência deve-se ao fato de que, nestes contextos, uma vida com Jesus só é possível mediante uma maior e mais profunda entrega, sem reservas, e que implica em um compromisso com Jesus que não se observa em sociedades "cristianizadas" como a nossa.

A Questão da "Praxis"

Max Weber, em seu excelente livro "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo"(1), analisa como as doutrinas protestantes (luteranismo, calvinismo, pietismo e dos anabatistas) influenciaram na formação da mentalidade capitalista a partir do século 16. Enquanto a teologia católica condenava o lucro e o juro, e valorizava o ascetismo monástico (separação do mundo), a teologia protestante "caracteriza-se por uma racionalidade específica, para a qual concorreu a noção de trabalho como vocação e ascese intra mundana, gerada no calvinismo"(2). Ou seja, a doutrina protestante passa a ver o trabalho secular, de cada um, como uma forma de vocação, ou seja, de glorificar a Deus e fazer a sua vontade. Desenvolve-se então o que Weber chama de "ascese intra mundana", ou seja, uma vida de pureza "dentro do mundo" e não "fora dele", como na ascese monástica. E ele demonstra como nas regiões onde prevaleceu a doutrina protestante (Inglaterra, Países Baixos, França e Estados Unidos) o capitalismo encontrou um mais rápido e maior desenvolvimento. Ele estabelece a conexão entre a teologia (o ensino) e a "praxis" (palavra grega que significa "a prática, o modo de fazer as coisas"). Os Puritanos, por exemplo, viam o trabalho e os ofícios como um campo natural onde se exercita a vocação de glorificar a Deus e ao Evangelho de Jesus Cristo. Viam o trabalho, mesmo secular, como algo que dignifica o homem. E aqui chegamos a um ponto onde podemos refletir sobre o ensino e a prática da Igreja atual.

O que a Igreja é hoje, sua prática e modo de vida, ou seja, a sua "praxis", é resultante do seu ensino. Ao contrário da época áurea do calvinismo, pietismo, metodismo e dos anabatistas, por exemplo, temos um ensino muito mais superficial hoje em dia. Isso quando se pode identificar algum padrão e consistência no ensino. E como dissemos, o Evangelho é apresentado na forma de um produto "vendável", e de forte apelo emocional e prático, quase que sob medida, para as necessidades do povo. Não que não se pregue as Escrituras e não se exalte a Jesus, mas o ensino vem sempre limitado a um escopo de interesse circunstancial. Não estamos querendo diminuir a importância dessa pregação, que de uma forma ou de outra, traz as pessoas para mais perto de Jesus, possibilita a sua salvação e tira milhões de pessoas dos vícios e da iniquidade - pessoas que de outra forma estariam perdidas. A nossa análise tem o objetivo de buscar o aperfeiçoamento que todos nós precisamos para o cumprimento eficaz da nossa missão, conforme Mateus 28.19-20.

Se levarmos a sério os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos, veremos que o objetivo das Escrituras é a transformação do discípulo, para que ele alcance a maturidade e torne-se uma expressão do Reino de Deus. Tome-se como exemplo o texto de Efésios 4.17 a 5.33. Leia todo esse texto com atenção e perceba como o ensino apostólico conduzia a uma praxis, a um modo de vida que abrange todos os seus aspectos, a forma como vive e se relaciona com o mundo, sua postura, seu comportamento, seus valores, a sua vida familiar, o relacionamento conjugal, a educação dos filhos e o respeito e obediência aos pais. Conduzia a uma vida prática e de inserção na sociedade que produzia uma expressão dos valores do Reino.

Em certos setores da Igreja hoje, temos também uma pregação excessivamente mística e etérea, uma palavra que só parece fazer algum sentido na igreja e entre irmãos, sem conexão clara com o dia a dia das pessoas. Cristãos nesse contexto se tornam pessoas descoladas dos problemas reais à sua volta, vivendo como nefelibatas, causando mais estranheza do que uma expressão real perceptível pelo homem comum. É uma praxis embebida em um emocionalismo sem muito impacto sobre o caráter e vida real destes cristãos, comprometendo a qualidade da sua influência e testemunho.

Em meio a esse mundo corrompido e tão cheio de maldade e insensibilidade, a Igreja deveria ser a reserva moral e ética da sociedade. É necessário que ela se levante com uma nova expressão do cristianismo, que reflita os valores e o caráter de Cristo. Que evangelize e discipule as nações, que seja o sal que influencia e preserva, e a luz que traz revelação e sabedoria.

Roberto Coutinho



(1) Max Weber, "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", 11ª Edição, (São Paulo: Editora Pioneira, 1996 [1904-05]).
(2) Franklin Ferreira, "Uma Introdução à Max Weber e à Obra 'A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo'". Fides Reformata 5/2 (2000).

terça-feira, 7 de julho de 2015

O que está por trás da Agenda de Gênero?




"Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito". 

1 Timóteo 2.1-2.

Apesar de não haver qualquer ênfase nas Escrituras sobre a atuação da Igreja na esfera política, por outro lado, há uma série de recomendações no sentido de influenciarmos o poder secular através de nossas orações (1 Timóteo 2.1-2), da defesa da nossa fé (1 Pedro 3.14-15) e de estarmos precavidos contra o "espírito desse mundo" (1 João 2.15-17; 2 Coríntios 2.11). Estes textos nos mostram pelo menos três coisas: 

1. Devemos nos preocupar com o poder governamental deste mundo e a influência que pode ter sobre nós.
2. É importante entendermos o que cremos e sermos capazes de defender a nossa fé.
3. É necessário discernirmos o "espírito deste mundo" e não ignorarmos os desígnios do mal.   

Watchman Nee, no livro "Não Ameis o Mundo"*, fala sobre a "mente que se oculta por trás do sistema": uma organização espiritual por trás da política, educação, literatura, ciência, arte, lei, comércio, música, etc, que visa a dar suporte ao plano satânico de fazer oposição sistemática aos desígnios de Deus. Há sempre uma fonte espiritual por trás de toda iniciativa prática do mundo hostil aos princípios de Deus.

Não é novidade para ninguém o debate atual sobre o que se convencionou chamar de "Agenda de Gênero": a desvinculação do sexo biológico do sexo comportamental. Ou seja, a ideia de que o sexo herdado biologicamente por uma pessoa (masculino ou feminino) não define, necessariamente, o comportamento afetivo e sexual que ela vai adotar (gênero). E essa ideologia tem sido desenvolvida por intelectuais ao longo dos anos e defendida sistematicamente em diferentes fóruns de repercussão internacional. E buscaram inspiração nessa ideologia vários movimentos como o Feminismo, o Gayzismo, a legalização do aborto, a união homossexual e outros. E o efeito deletério nada desprezível dessa ideologia é a desestabilização do conceito tradicional de família: um homem, sua mulher e seus filhos. E uma ideologia que, a luz do que estamos dizendo, tem uma clara origem espiritual cujo objetivo é atingir uma instituição fundamental no plano de Deus para o homem: a família!

Mas uma pergunta fundamental que se deve fazer é: de onde vem essa ideologia? qual a sua origem do ponto de vista histórico? Seu objetivo é realmente defender a liberdade de gênero ou tem outra intenção maior por trás? É a essa e a outras questões que queremos trazer algumas respostas. Como dissemos, é fundamental que o cristão tenha conhecimento dessas questões, para orientar suas orações, sua fé, seu comportamento e suas ações.

Uma leitura que recomendamos fortemente a todos é a do resumo do livro de Dale O'Leary, "A Agenda de Gênero" (link para download aqui), que traz revelações estarrecedoras, com farta referência a documentações, sobre o desenvolvimento orquestrado, em escala mundial, dessa mentalidade e que já bateu às portas da legislação brasileira, com vários projetos de leis que pretendem implantar a agenda de gênero em várias esferas da sociedade, esperando apenas para serem votados e aprovados. Um perigo do qual todos devemos estar cientes. O projeto de reforma do Código Penal (PLS 236/2012), por exemplo, adiciona como “agravante do crime”, em seu Art. 75, o “preconceito de (...) orientação sexual e identidade de gênero”; o Plano Nacional de Educação (PLC 103/2012), já aprovado na Câmara, estabelece como uma de suas diretrizes a “promoção da igualdade (...) de gênero e de orientação sexual”. Um projeto de lei, o PL 5002/2013 (ver aqui), sobre identidade de gênero, prevê que um adolescente, mesmo sem a autorização dos pais ou responsáveis, pode solicitar assistência à Defensoria Pública para autorização judicial para intervenção cirúrgica para transexualização total ou parcial - mudança de sexo (Artigo 5º. §1º e §2º.). 

As origens dessa ideologia de gênero remontam ao Marxismo. Por exemplo, no trabalho de Friedrich Engels, escrito em parceria com Karl Marx (ainda que publicado após a morte de Marx), "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado", eles colocam a sujeição da esposa ao marido como a primeira forma de poder e de dominação de classes. Veja abaixo um trecho dessa obra:

“Em um antigo manuscrito não publicado escrito por Marx e por mim mesmo, em 1846, eu encontrei estas palavras: ‘A primeira divisão do trabalho é aquela entre o homem e a mulher para a propagação da prole’. E hoje eu posso acrescentar: ‘A primeira luta de classes que aparece na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher no casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a submissão do sexo feminino pelo masculino”.
(Friederich Engels: A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado).

Não é por outra razão que as líderes intelectuais dos movimentos feministas radicais sempre tiveram afinidade com o Marxismo e viviam citando Marx e Engels em suas obras, como Kate Millet, em seu livro "Política Sexual":

“O grande valor da contribuição de Engels para a revolução sexual reside na sua análise do casamento patriarcal e da família. Na submissão do feminino ao masculino, Engels, assim como também Marx, compreenderam o protótipo histórico e conceitual de todos os subseqüentes sistemas de poder, de todas as relações econômicas opressoras e o próprio fato da opressão em si mesmo”. 
(Kate Millet)

Engels chegou ao disparate de considerar que a prostituta (cortesã) é moralmente superior à mulher casada, porque a primeira vende o seu corpo em parte, como um trabalhador assalariado, enquanto a casada vende de uma vez, para sempre, como escrava - ver no documento "Agenda de Gênero" mencionado acima, página 18, terceiro parágrafo. Portanto, para o Marxismo, a implantação do Comunismo demanda a eliminação do papel da mulher como esposa, no particular, e a família como núcleo de autoridade e da aquisição e transmissão da propriedade, no geral, como elementos a serem suprimidos progressivamente da sociedade, até se chegar ao comunismo puro - a utopia do novo homem e da sociedade justa.

Como eliminar a propriedade mostrou-se historicamente uma tarefa quase impossível para o movimento revolucionário, resultando na fragmentação da família, eles resolveram primeiro focalizar na estatização da economia (que com o tempo também naufragou) e, depois, na guerra cultural e de ocupação dos espaços de poder para, gradativamente e sem despertar grande alarde, ir impondo seus programas, como a agenda de gênero, que pavimentam o caminho para a conquista do poder e da hegemonia política. O que vai lhes permitir, finalmente, implantar a sua utopia de uma sociedade supostamente igualitária - o que, na realidade, é só a justificativa para a instalação de um ente de poder com controle total sobre a sociedade. 

Nessa busca de poder e hegemonia, instituições como a família e a Igreja (na verdade as religiões em geral e o cristianismo em particular) são obstáculos e inimigos a serem suplantados. Ao mesmo tempo em que causas como o Feminismo, o Gaysismo, legalização do aborto, ideologia de gênero, etc, tornam-se aliados conscientes ou não desse projeto de poder - daí o frequente apoio dos partidos de esquerda a essas causas - a debilitação da família, como núcleo de autoridade e propriedade, o combate ao pensamento conservador e aos valores morais, são objetivos permanentes e estratégicos dos movimentos de esquerda. E isso é uma ameaça à nossa liberdade e ao ambiente propício para a pregação do evangelho e o pleno exercício de nossa vocação cristã. 

Em resumo, dentro do que cremos, é a "mente que se oculta atrás do sistema" opondo-se aos propósitos de Deus. E como recomendou Paulo, não devemos ignorar seus desígnios. Devemos orar e interceder por aqueles que estão em posição de poder. Devemos responder aos que nos indagam o motivo da nossa esperança. Devemos discernir o "espírito desse mundo" e suas estratégias.

Roberto Coutinho



* NEE, Watchman. Não Ameis o Mundo. 1ª Edição. São Paulo. Editora dos Clássicos. 2003.

segunda-feira, 22 de junho de 2015


."Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais"... (Jeremias 29.11)

Deus sempre deseja o nosso bem. Mas nós precisamos habilitar as benção de Deus em nossa vida. Há aspectos que as habilitam, e outros que as desabilitam. Seguem alguns "habilitadores das bençãos de Deus" em nós:

1. Nossos Pensamentos: (Isaías 55.7-9; Rm 12.2). Pensar os pensamentos de Deus - planos, prioridades e valores. Quando abrimos mão dos nossos próprios pensamentos para pensar os de Deus.

2. Nossas Palavras: (Provérbios 18.21; 21.23). O que falamos define nosso destino: benção (dizer bem); maldição (falar mal). Devemos abençoar nossa vida e a dos outros. Não reclamar ou falar mal.

3. Nosso Procedimento: (Deuteronômios 28.1-2; Gálatas 6.9; Tiago 4.17). Fazer o bem, obedecer a Deus, investir em seu Reino (tempo, recursos e habilidades).

O que pensamos, o que falamos e o que fazemos determinam, em última análise, o nosso destino. Determinam a benção ou a maldição. A vitória ou o fracasso. A realização pessoal ou a frustração.

Roberto Coutinho.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Chaves Para Uma Vida de Sucesso: Parte 6 - A Influência de Nossas Palavras



Há um ensino claro nas Escrituras  estabelecendo uma ligação entre o que falamos - nossa linguagem - e os frutos que obtemos em nossa vida. Em outras palavras, elas interferem em nosso destino. O sucesso ou o fracasso futuro pode ser determinado pelo que falamos hoje. É um principio que opera em ciclos de "plantar e colher". 

Antes de mais nada é preciso fazer a distinção entre esse ensino bíblico sobre o uso das palavras com o que ficou conhecido, no meio secular, como "programação neurolinguística".  Esta última são técnicas que visam a melhorar a experiência humana e a sua capacidade de superação e atingimento de metas, através do uso da linguagem e da comunicação, buscando afetar positivamente nosso cérebro e nossa percepção da realidade. Já o enfoque bíblico é de outra natureza. Assenta-se sobre princípios de dimensão comportamental e espiritual, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre o que falamos e o que colhemos. E esses aspectos podem ser naturais ou espirituais, conforme veremos a seguir.

"Vinde, filhos, escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor. Quem é o homem que ama a vida e quer longevidade para ver o bem? Refreie a língua do mal e os lábios de falarem dolosamente".

Salmos 34.11-13

"Refrear" a língua: fator que contribui para o nosso sucesso.

"Amar a vida" e "longevidade para ver o bem" são frases que denotam o que temos chamado nesse estudo de "verdadeiro sucesso". E qual é a condição apontada para que o experimentemos? Refrear a língua do mal e os lábios de falarem dolosamente.  O uso adequado da língua é determinante para o nosso sucesso. Talvez não haja outro órgão que seja tão importante para o nosso futuro como a nossa boca. E a Bíblia nos ensina a guardá-la cuidadosamente. Na verdade, vai mais longe, ensinando-nos a "refreá-la", que fala de uma atitude radical para mantê-la sob controle. E não é sem razão que a Bíblia é tão enfática sobre isso.

"O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína".

Provérbios 13.3

Os efeitos do mal uso da língua podem ser devastadores. Primeiramente, o texto diz que guardar a boca "conserva a alma", ou seja, nos guarda de danos morais e mesmo espirituais. Diz também que quem abre muito os lábios "a si mesmo se arruína'". E ruína é algo abrangente, que envolve também o aspecto material. As consequências do mau uso da língua podem ser espirituais, emocionais e materiais.

Aspectos Espiritual e Natural do Uso da Língua

Tanto benção como maldição estão ligados ao ato de "falar" ou "proferir". São o resultado de palavras proferidas: ou de benção ("bem-dizer") ou de maldição ("mal-dizer"). O que declaramos tem eficácia no mundo espiritual. Tanto que "confessar com a boca" a nossa fé em Jesus, de coração, sela a nossa salvação (Romanos 10.9-10). Portanto o que falamos, tanto de bom quanto de mau, têm impacto espiritual sobre o curso de nossa vida.

Por outro lado, o que falamos de ruim, como palavras arrogantes, ou mentiras, acabam nos trazendo o mal, até pela reação natural de oposição que elas causam nas outras pessoas em relação a nós. Quem somente semeia inimizades, colhe o mal. Da mesma forma que quem cultiva boas amizades, semeando sempre generosidade e justiça, também acaba colhendo os bons frutos das suas palavras e ações. Veja essas verdades nos versículos abaixo:

"A língua serena é arvore de vida, mas a perversa quebranta o espírito". Provérbios 15.4

"A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto". Provérbios 18.21

Podemos destruir com a nossa boca o que construímos com o nosso trabalho. Saber fazer bom uso dela é um fator fundamental que contribui para o nosso verdadeiro sucesso. 

Roberto Coutinho

domingo, 8 de março de 2015

Chaves Para Uma Vida de Sucesso: Parte 5 - Oração e Sucesso.


Neemias: Oração Como Base do Sucesso Verdadeiro

Neemias é um excelente exemplo de um homem que obteve sucesso, entre outros fatores, pela sua vida de oração. Ele era um grande líder que sabia discernir os problemas, antecipar-se a eles, administrar as circunstâncias e motivar as pessoas em torno dos objetivos de Deus. E tudo isso com muita oração e dependência do Senhor.

Em Neemias 1. 4-11 vemos o início de seu ministério como líder na reconstrução dos muros de Jerusalém. E ele começou com jejum e oração pedindo a Deus que concedesse a ele "êxito" (v 11). Ele não estava confiando apenas em suas habilidades políticas ou qualidades de líder. Ele sabia que precisava do Senhor para ter sucesso na missão que ele tinha ardendo em seu coração. A base do seu sucesso foi a oração.

Como a Oração Contribui Para o Sucesso?

a) Trazendo Proteção - Esdras 8.21-23: temos aqui este outro grande líder convocando o povo para jejuar e orar para que Deus os protegesse em sua jornada da Babilônia para Jerusalém, com o objetivo de reconstruir o Templo. Como ele havia afirmado a Artaxerxes que a mão do Senhor é sobre todos os que buscam o bem, e que sua força e a sua ira era contra todos que o deixam, Esdras achou que seria incoerente pedir ao rei soldados e cavaleiros para os defenderem no caminho. Eles jejuaram, oraram e confiaram na proteção divina, e Deus os ouviu e os conduziu seguros até o seu destino. Um verdadeiro milagre obtido através da oração. Deus os protegeu através da oração, e eles tiveram bom êxito em seu empreendimento.


b) Trazendo Orientação - Gênesis 24.12-14: O servo de Abraão, para obter sucesso em sua missão de buscar uma esposa para Isaque, ora pedindo que o Senhor mostre-lhe a mulher escolhida. Através da oração ele obteve orientação. Esse é um fator muito importante para o sucesso: escolhas certas. E devemos sempre buscar em oração a orientação de Deus. Não confiar em nossa própria inteligência e capacidade, mas orar sempre a Deus para receber orientação.


c) Trazendo Mudança de Circunstâncias - Tiago 5.13-18: Está alguém triste? Doente? Em pecado? Com problemas? Alguma circunstância que precisa ser, milagrosamente, mudada? A recomendação apostólica é uma só: Oração! Não há nenhum substituto para a oração. Ela é que nos conduz à alegria, à cura, ao perdão, à solução de conflitos e ao milagre. A oração muda as circunstâncias.

Condições Para o Sucesso Pela Oração

a) Obediência - 1 João 3.22: guardar os mandamentos e fazer o que é agradável a Deus é apontado pelo apóstolo como o motivo de recebermos aquilo que pedimos. Muitas pessoas querem obter êxito na oração participando de campanhas e correntes, por exemplo, mas não estão dispostas a obedecer e mudar de vida. Mas Deus não pode fazer muito para quem não está comprometido com Ele. O Senhor nos leva a sério na mesma medida em que nós o levamos a sério também.

b) Pedidos alinhados com a Sua vontade - 1 João 5.14: Deus não pode nos atender naquilo que pedimos se estiver em desacordo com a Sua vontade. Ele não pode contradizer-se e agir contra sua própria natureza. Alguém pode estar orando para obter êxito em uma coisa que não é boa aos olhos de Deus. Não faz sentido, por exemplo, alguém orar para que uma pessoa divorcie-se para casar-se com ela. É uma oração tola, que não pode ser respondida por Deus. Mas mesmo coisas que não são ruins em si, mas que não estão alinhadas com o Seu plano e a Sua vontade para nós, torna-se algo que Deus não pode responder. Mas tudo que pedimos, segundo a Sua vontade, Ele nos responde. Pode até demorar, mas responderá. Talvez não "como" e "quando" queremos, mas Ele o fará!  

Que possamos aprender a obter do Senhor o sucesso que provem da oração feita aos Seus pés e de acordo com a Sua vontade!

Roberto Coutinho